Cena 9A escolha de Perséfone

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Cena 9 de 11

A escolha de Perséfone

Em cenaPerséfone

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O submundo. Entra PERSÉFONE carregando uma romã. HADES vem atrás.

Perséfone

Enfureci-me contra estes salões sombreados,
e chorei por noites e por dias,
bati contra estas paredes ocas
e amaldiçoei seus modos soturnos.
Neste silêncio onde jazem os espíritos,
enxerguei um fio mais fundo:
que a vida e a morte não estão apartadas,
mas caminham como uma só.
As flores que eu costumava amar
tiram força daqui de baixo;
o que floresce ao calor do sol
precisa da terra escura para crescer.
Dois mundos precisam de quem compreenda
tanto a sombra quanto a irmã luz,
de quem caminhe e faça a ponte entre terras distantes
e as funda numa só.
Por isso escolho agora de olhos abertos —
já não pelo destino de vítima —
para ensinar a todos o que a escuridão compra,
o que o sofrimento torna grande.
Estas sementes hão de me prender a este trono
e, do mesmo modo, me libertar,
para reclamar a verdade em que cresci
e me tornei o meu destino.

PERSÉFONE come as sementes da romã. Saem os dois.