Nem Mesmo Deus
O mito de Perséfone
A descida ao submundo interior, e como ele guarda as sementes de nossa transformação.
Resumo
Deméter é a deusa da colheita. Quando sua filha Perséfone é levada ao mundo dos mortos, ela percorre a Terra à sua procura. Consumida pela dor, retira do mundo seus dons: nada mais brota, e um longo inverno se inicia.
No mundo subterrâneo, Perséfone resiste ao destino que lhe foi imposto. Aos poucos, porém, descobre que a escuridão não é apenas um lugar de sofrimento. Assim como a semente precisa descer à terra para germinar, aquilo que encontramos em nossas regiões mais profundas também pode alimentar o nascimento de algo novo.
Ao provar as sementes da romã, Perséfone reconhece que a descida a transformou. Seu retorno torna-se possível, mas não definitivo: durante parte do ano, deverá voltar ao mundo subterrâneo, renovando o ciclo entre a escuridão e a luz.
Em nossa montagem, o submundo representa também uma dimensão de nossa própria psicologia: o lugar dos hábitos, conflitos e sofrimentos que tantas vezes nos aprisionam. Quando passamos a enxergá-los, porém, eles podem se tornar a matéria de nossa transformação interior. A descida deixa de ser apenas uma experiência de dor e se torna o ponto de partida para o autodesenvolvimento.