Cena 6A percepção de Deméter

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Cena 6 de 11

A percepção de Deméter

Em cenaDeméter

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Deméter em seu quarto, segurando o menino DEMOFOONTE adormecido.

Deméter

Dorme, ó mais inocente da prole mortal,
sonha sonhos onde nenhuma sombra encontre lugar,
nenhum sussurro daquele pesar que acompanha
toda carne nascida sob os astros que giram.
Minha filha — que era o núcleo luminoso do meu peito —
também dormia assim, doce, em meus braços,
toda confiante, sem saber nada da escura
astúcia do mundo e do destino que a espreitava.
Mas tu — tu não sofrerás como ela sofre!
Sou Deméter, aquela que faz o grão
brotar dourado do seio abundante da terra —
e hei de te fazer mais que nascido mortal!
A cada aurora ungirei tua carne tenra
com ambrosia, alimento dos que não morrem.
E quando o sol se puser e os mortais dormirem,
dentro da chama sagrada do fogo santo
hei de te esconder, queimando
aquela parte de ti que sofre e decai,
que conhece o amargo aguilhão da separação e da perda.
Não morrerás, não sofrerás perda alguma —
pois hei de te fazer igual aos próprios deuses:
eterno, imutável, a salvo de todo mal.
Esta noite, o amor aprende a vencer o destino.
Esta noite, a deusa diz sua palavra final.

Sai DEMÉTER carregando DEMOFOONTE.