Cena 4O encontro com Demofoonte

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Cena 4 de 11

O encontro com Demofoonte

Em cenaCeleu, Metanira, Deméter, Calítoe, Demo, Calídice, Clisídice

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A casa de CELEU. Sua esposa METANIRA está sentada com o filho recém-nascido, DEMOFOONTE. CELEU entra com as QUATRO PRINCESAS e DEMÉTER (como DOSO).

Celeu

Metanira, nossas filhas nos trouxeram uma hóspede. Esta é Doso, de Creta. Procura trabalho em nossa casa.

Metanira

De Creta? Viajaste muito, boa mulher.

Deméter

Sim, minha senhora. Mais longe do que jamais pretendi.

Calítoe

Mãe, Doso tem experiência com crianças. Pensamos que talvez...

Metanira

(examinando DEMÉTER) Já cuidaste de recém-nascidos?

Deméter

Criei uma criança desde o nascimento. Vi-a passar de bebê indefeso a bela jovem.

Metanira

Tua filha?

Deméter

Sim, embora perdida para mim agora.

Celeu

Os deuses nos enviam muitas provações. Mas talvez te tenham enviado aqui com um propósito.

DEMOFOONTE se agita.

Metanira

Calma, pequeno. (a DEMÉTER) Ele está difícil hoje. A ama de leite diz que não se acalma.

Deméter

Posso...?

METANIRA estende o bebê a DEMÉTER.

Metanira

Ele é exigente com quem o segura.

DEMÉTER toma DEMOFOONTE nos braços. O bebê se acalma na hora.

Deméter

Shh, pequeno. Tu percebes alguma coisa, não é? As ansiedades que turvam o ar à tua volta, os medos que os adultos carregam sem saber.

Metanira

Tens um dom com crianças.

Deméter

Sei o que as perturba. Uma criança tão nova sente tudo — cada preocupação no coração da mãe, cada sombra que cruza a mente do pai, cada mau desejo de vizinhos invejosos.

Celeu

Falas como quem conhece tais coisas de perto.

Deméter

Conheço proteções muito além das ervas
e remédios que os curandeiros comuns usam.
Conheço resguardos contra o mau-olhado,
amuletos que afastam os espíritos da febre,
ávidos por roubar o fôlego dos bebês que dormem.
Conheço segredos que mantêm os pesadelos longe
dos sonhos inocentes, e modos de tornar
forte o espírito de uma criança, para que a magia perversa
escorra dela como a chuva no bronze polido.
Conheço técnicas para ajudar um bebê a crescer
robusto e a salvo de todas as doenças
que levam embora tantos pequeninos.

Celeu

Habilidades valiosas, sem dúvida.

Deméter

E eu te ensinaria o que puder com segurança, minha senhora. Embora certo conhecimento... certas proteções... só possam ser dadas pelo cuidado direto.

Metanira

Doso... aceitarias um posto aqui? Como ama de Demofoonte?

Deméter

Eu... pensei que jamais pudesse amar outra criança.

Celeu

Amar não é trair quem se perdeu, boa mulher. Às vezes é o único modo de honrá-lo.

Deméter

Falas com sabedoria, meu senhor.

Metanira

Terias teu próprio quarto, boa comida, roupas finas. E Demofoonte claramente já se afeiçoou a ti.

Deméter

Ele é tão pequeno. Tão... frágil.

Demo

Todos os bebês são. É por isso que precisam de cuidado tão atento.

Deméter

Sim. Cuidado atento. Proteção contra todo mal.

Metanira

Então aceitas?

Deméter

Cuidarei do teu filho como se fosse meu.

Celeu

Não poderíamos pedir mais.

Deméter

Nada te fará mal enquanto estiveres aos meus cuidados, pequeno. Nada te tomará de quem te ama.

Celeu

Então está decidido. Bem-vinda à nossa casa, Doso.

Calídice

Vou te mostrar teu quarto.

Clisídice

E eu peço aos servos que preparem lençóis limpos e água para o banho.

Deméter

(a DEMOFOONTE) Dorme agora, pequeno. Sonha com sol e segurança. Sonha em permanecer exatamente como és, para sempre.

Ela devolve o bebê a METANIRA.

Deméter

Quando queres que eu comece?

Metanira

Já, se estiveres disposta. A ama de leite vem ao amanhecer e ao anoitecer, mas durante o dia...

Deméter

Vigiarei sobre ele constantemente. Ele nunca ficará sozinho, nunca terá medo, nunca lhe faltará nada.

Metanira

Demofoonte tem sorte de ter encontrado ama tão dedicada.

O CHEFE e a FAMÍLIA saem, deixando DEMÉTER sozinha.

Deméter

Que estranho. Quando a perdi, acreditei
que essa parte de mim havia morrido para sempre.
Jurei jamais arriscar tal amor de novo,
que amar fundo só conduz ao desespero.
E agora... um pequeno peso confiante nos braços,
e já procuro modos de mantê-lo a salvo.
Pois, como soube o sábio rei cego de Tebas:
uma palavra transforma todo pesar, e é a palavra amor.
Talvez o coração ignore o que nos ensinaram
e ame outra vez, apesar do que a razão pensou.

Sai DEMÉTER.